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alguns · causos · poucos


(e quem sabe das cousas não conta)

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Não pôde recorrer a outra senão a ela. Não teve escolha, ele mesmo disse. Aconselhar seria descaso, queria era isso mesmo. De peito aberto, agora, como já falara. "Noutra fase da vida", como diziam as globais. E ele se recusando sempre, sempre. Insistia, entretanto, nos beijos tantos e ela tinha de lembrá-lo dos morangos.
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quero te fazer poesia. dizer que podes ser todas as mulheres que quiseres. te citar nomes, vários deles, até aqueles americanizados que nos fariam rir.
mas és tantas delas, tantas lindas e inteiras e completas que me perco. e acho que teu nome tem muitas letras por isso, pra, desde que nasceste, saberes que podes ser todas elas juntas - ou duas hoje e outras cinco amanhã.
pra saberes que:
tu podes.
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"…or if he missed me completely in the crowd. I wanted to show him all the interesting things I do. I wanted to meet up with friends I haven’t seen in a long time, go to see an exhibition, go to the beach… I think about the detective. I must be a boring person to follow."

______________________________Sophie Calle

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Caio sempre rasgando.
 
em À beira do mar aberto:
"(...) prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo (...) então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida (...)"
 
 
em Do outro lado da tarde
"(...) mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha,e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou."
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Adentraste a sala e o silêncio surgiu. Silêncio pretencioso de quem supostamente nunca se viu nu. Tua nuca queimada de sol e os segundos gosmentos insistentes, como nós fomos.
Gosmentos nas festas, nas camas, nas outras. Insistentes nos meses, no dilacerar, nas tentativas em todos os buracos, poros e pulsos, até nos afundarmos no sofá do teu quarto sem lençol às sete de terça.
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19

 
"é que nos acontece de enterdermos
isso de existir um fundo no fundo
e, por isso, nos impedimos de caber
no que é raso, de habitar a superfície. 


é que vivemos pela
busca do ser-inteira
e, assim, de tropeços
dores, desenganos, vamos tecendo nossas
certezas e carregando uma à outra
para coisas como enxergar, dissolver,
voar, cuidar, permanecer. 


e, por fazeres parte do meu fundo,
fico feliz quando te percebo crescendo
e te tornando uma mulher tão
inteira e tão bonita em tantos sentidos. 
 

___________________________amor
___________________________Priscilla" 
  

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"Ao entrar no motel, põe umas notas na mesinha, logo de cara. Uma parte de mim finge para a outra parte que não viu. Ao sair, porque não contei nem guardei o dinheiro, diz:
- Está aqui o dinheiro.
Não sei que cara fazer e não sei que cara fiz. Sei que a dele era calhorda, e, ao ver minha reação, ou não-reação, ele põe mais umas notas no bolo. Depois sai. Ficamos lá, sozinhos, eu e o dinheiro. Depois de uns minutos conto o dinheiro, que passa assim a ter identidade específica: é muito. Eu também passo: virei puta."
 
 
Elvira Vigna
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Deve haver um ponto - e alguém provavelmente já disse isso antes - em que os questionamentos não param e a gente escolhe ser ignorante - um pouco.
Tenho optado pelo "tô cagando", mesmo sabendo que "foda-se" é mais old school. É terrível ser indiferente? É. É irritante viver de "não sei"? É. A Mariana que normalmente existe aqui (em mim) detestaria isso em alguém e, de certa forma, ainda detesta. Mas e daí; cansei por um tempo de pensar muito e sobre tudo; tô curtindo a merda, tô cagando.
Insuportável ter de conviver com pessoas que arg. Agora, a guria se suicida e todos passam a dar opiniões sobre o quão nada a ver isso foi. Nada a ver é vocês ficarem falando disso; não podem, não têm o direito, porque a vida é dela. Tão dela que ela quis se matar e se matou. E eu nem abro mais a boca, só saio. Minha vontade mesmo é de mandar todo mundo tomar no cu, caso demonstrem algum sinal de querer entrar em contato comigo.
 
Eis o seguinte: deve haver um ponto, agora na faculdade, entre o começar a falar com propriedade de um assunto e não agüentá-lo mais. Encontro-me neste ponto e, meu deus, tô cagando pra Design.
  
  
(Lembrei: o "deve haver um ponto" surgiu do Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou, de Caio; faz sentido pra mim, essa ligação)

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Comprei um quilo de arroz no sentido de alimento perecível, não valendo sal.
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____Das coisas todas, a mais triste que vi foi teu rosto sem nome. A agonia era tanta que pensei em te chamar de Qualquer João. Depois, quis te apelidar, mas nada ficava bom. Ora não combinava com teu queixo, com tuas orelhas, ora não combinava comigo.
____E eu queria que combinasse, porque ali, naquele momento, já era tu&eu, uma questão sem título, entretanto, nossa.
____Tentei decifrar nas tuas sobrancelhas, nas tuas rugas... Nada, nada! Precisei de te ter com um nome, não havia de ser diferente. E não era para juntar nossas iniciais, escrevê-las em árvores, fazer combinações para nomear nossos filhos. Nada disso. Apenas não pratiquei o desapego, não evoluí, enrolei-me com Plutão, fiquei perdida.
____E ainda: tua face triste, triste, sem reação alguma, sem nome.
____No instante seguinte, previ teu abrir de boca a desgraçar, com uma só palavra – não tinhas cara de nome composto –, meus ouvidos. Antecipei-me e tapei tua boca. Um lapso, um surto. Achei o nome perfeito pra ti!
____“Antônio”, eu disse.
____Passaste, então, a ser Antônio para mim, daquele dia até hoje, mesmo que eu nunca mais tenha te visto.
____Das novas coisas todas, que se renovam desde aquele dia, a mais bonita que ouvi foi teu nome dito por mim.
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___É um daqueles dias mornos e gosmentos, em que tudo que a gente faz é sentar e ver as horas deslizando - turvas e rentes - nos ponteiros da parede.

Tuas roupas estão no varal, evaporando teu suor que esfreguei, botei na máquina, e nem com sabão saiu.

Hoje, vi no mapa que vai chover. Hoje, talvez seja dia de São Cosme e Damião; hoje, talvez eu deva recolher o que restou de ti - e descansa lá fora.

o
__.(um instante rápido e último)
__.(muda a cena)

o
__.Me vejo entre escombros, com lama, muita lama. Os móveis bóiam, eu bóio. Meu pés: úmidos. Estou finalmente tomada por essa enchente de mim, que me inunda até o queixo e me faz - instintivamente e só - querer respirar, nem que seja apenas mais uma vez, o vapor do teu suor.
o

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pasárgada nível PRÓ
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Das coisas que aparecem - II aparição

Já era depois, isso eu lembro.
Não sei ao certo de onde veio a idéia - foi naquele estágio pré-sono, li o nome disso há um tempo, mas não sei mais, ando rasa.
Estava, então, deitada em ti, só querendo dormir um pouco, sem palavras bonitas, sem carinho de comprometimento, sem aquelas juras todas em que eu fria (e rasa) não acreditava. Fechar os olhos e só.
E a idéia imperiosa surgiu, apareceu em sonho; apareceu, simplesmente. Como tudo vem sendo: _________ __ um_constante aparecer.

"- Cinqüenta. És um cinqüenta".
Ele sem entender; continuei:
"- Não o som, não a aparência física de um cinqüentão, não o conhecimento ou a escrita. O número 50."

Não sei se eras 38 e, somando, te fiz 50. Se eras 62 e te rebaixei. Ou se, a pior das hipóteses, já, há muito, eras 50 e fomos mesquinhos, rasos, como tenho sido. Ou talvez, ainda, 38 seja melhor do que 50 e a lógica toda esteja errada. Não sei.
Só sei que ali, antes de pegar no sono, um pouco bêbada e sôfrega, te supus 50, sem saber ao certo o que isso tudo queria dizer.
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Toca-me,
beija-me,
excita-me,
ata-me - o filme.

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Viver, comigo na Terra, tornou-se um fardo pesadíssimo!; vivas, pois, sem notar-me; ou melhor: notes-me trêmula, que assim não vês distintas minhas linhas, minhas curvas e, então, tudo perde a graça.
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"Eu o amo porque você sou eu... minha escrita, meu desenho de muitas vidas. Sere uma pequena deusa, à minha moda singela. Deixei em casa, sobre minha mesa, o melhor conto que já escrevi. Como explicar a Bob que minha felicidade depende de arrancar um pedaço da minha vida, um fragmento de aflição e beleza, e transformá-lo em palavras datilografadas numa página? Como ele poderia entender que justifico minha vida, minhas emoções ardentes, meu sentimento, ao passá-la para o papel?


(...) Fui meiga com ele no caminho de casa. Era a despedida, o encerramento de um ciclo, mas ele não tinha como saber. Ainda acreditava haver esperança. No carro ele disse, depois que eu permiti que me beijasse um pouco: 'Sempre tem de terminar, né? Precisamos nos separar, sempre'. 'Sim', falei. Ele insistiu: 'Mas não tem de ser assim. Podemos ficar juntos para sempre'. 'Ah, não', retruquei, ponderando se ele sabia que estava tudo acabado. 'Avançamos, correndo até morrer. Separamo-nos, afastamo-nos cada vez mais, até a hora da morte'. Ele não tem um lar, é infeliz. Eu poderia ser sua fonte de alegria, o refúgio de sua vida. E eu só posso morrer, assim. Algo dentro de mim pede mais. Não posso descansar. Sem emoção, deixei que me beijasse. A noite fora adorável, completa. Fiquei mais sozinha do que ficaria se tivesse saído desacompanhada. Pobre coitado; não há ninguém mais gentil. Talvez um dia eu venha a me arrastar de volta para casa, desolada, derrotada. Mas não enquanto puder criar histórias a partir de meu desgosto,

____________extrair beleza do penar



_______________Sylvia, aos 18 anos, em Diários de Sylvia Plath
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..que cometo exageros, tenho ânsias ardentes,
sou possessa&possessiva, que piso torto,
como errado, penso demais, que pareço velha, corcunda, raquítica
tu disseste;

..mas isso, ah! grande novidade,
isso tudo eu já sei;

..e é por isso que coisas assim,
.....................palavras assim,
................sentimentos assim,
....como tu, são absolutamente

...........................dispensáveis

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EleQuando voltaremos? Quero dizer, esses três meses foram os melhores de minha vida. Acordar e ver você, com as montanhas do Kahtar ao fundo. O papagaio (haha, só de lembrar dou risada), o jardim, as rusgas e o creme de amendoim. Foi inesquecível. Tenho certeza de que ficará guardado em nossa memória e em nossa história.Eu Do outono, sinto falta. E das Veras a pestanejar. Também do papagaio filhodaputa que insistia em me chamar de você-sabe-o-quê-morzin. Das tardes inteiras na cama - e da cama pro chão, até eu reclamar que 'meus cotovelos estão queimando, morzin'. E você: mais mais E MAIS. E eu: tá queimando! E você: mais mais mais E MAIS. E eu: tá doendo! E você: mais mais mais mais E MAIS. E eu: tá queimando! tá doendo! tem labaredas, MORZIN'!

(Kathar não foi suficiente; aliás, foi ficha - e das pequenas, né não, morzin'? Conta aí pra eles)
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os alquimistas chegaram em ONZE MINUTOS, e era tarde: Veronika decidiu morrer aos nove de não-se-sabe qual tempo,
mas era cedo: Brigite esquentara o jantar, só não-se-sabe para quem.

Recolheu algumas underwears da secadora para usar como coador; botou a uóda pra ferver; demora, demora, delonga:
fez sexo com a garrafa de coca, leu três páginas do apocalipse, e nada de bolhas.

Bolhas de aspirinas todas as manhãs, "só chove nessa Londres de myGod", bolhas nas mãos,
"shit, peguei flu", dizia ao carpinteiro-entregador de flores,

enquanto virgulava o bilhete sobre a mesa:"estou, caro Dylan, efervescendo minhas varizes no chafariz, entrada sul, do HydePark".

E Dylan a volantear pelas curvas do Sena, revezando a mão direita entre marchas e coxas de mini. Só no semáforo acreditou: "Brigite deve estar utilizando ópio pra fazer tie-die em meus ternos italianos... Eu é que não volto pr'aquela Londres de my God."; as coxas inquietas, "vai pegar flu, sweet".

Vinte e três milhas para UnderwearCity: "vai flundo, vai flundo".
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